Prezada Sra. Flaviana,

Parabéns. Falta apenas 1 mês para o fim de seu contrato de financiamento de seu veículo. E gostaríamos de dizer que a senhora tem um crédito pré-aprovado do mesmo valor de seu contrato anterior acrescidos de 20%.

Aproveite!

Do seu querido banco.

Obs: Sua prestação era de R$ 1.300,00 portanto você teria um crédito para uma prestação de R$ 1.560,00. Oferta por tempo limitado.

No dia 14 de setembro último paguei a última prestação de minha última dívida! A sensação de alívio e de verdadeira libertação forma simplesmente maravilhosas!!! Fiquei muito feliz!

Tratava-se do financiamento de meu automóvel que fiz em 60 vezes sem entrada. Um péssimo negócio, não recomendo a ninguém. É sério! Nunca façam financiamento longos, se for carro procurem se ater a no máximo 24 vezes. Mas fazer o quê. Já tinha feito e me arrependido amargamente, mas cumpri o compromisso e paguei integralmente e sem atrasar uma única prestação.

O carro é um Honda Fit 2005-2006  no valor de R$ 48.000,00. Como não dei qualquer entrada, já que não tinha dinheiro nenhum, os juros foram pesados e paguei 60 vezes de R$ 1.300,00 com um total de: R$ 78.000,00. Sendo que agora, outubro de 2010, o carro vale cerca de R$ 25.000,00.

Incrível, não? Paguei quase 2 carros durante 5 longos anos e fiquei com 1/2 carro no final do período. Com certeza o pior negócio que fiz na vida e o mais engraçado é que todo o mundo fica me perguntando quando vou trocar de carro. Ou seja, para a maior parte das pessoas, é perfeitamente normal jogar rios de dinheiro fora para poder estar sempre de carro novo.

Pois bem. Aprendi minha lição. Meu carro está bom. Fiz todas as revisões e troquei pouca coisa. E é bom que seja assim pois ele ficará comigo por muito,  muito tempo pois entrar em outra furada desta, nunca mais!!!!

Como devem ter percebido estou sem escrever há muito tempo.

Estava de férias e resolvi viajar e descansar um pouquinho.

Vou retomar o blog intensamente pois tenho muitas novidades!

Um abração a todos!

Há 8 anos atrás, época em que iniciava e amadurecia meu crônico endividamento, mudei de república e precisava de uma geladeira.

Não querendo esperar para juntar o dinheiro necessário, resolvi ir às Casas Bahia lá no centro de Santos e fazer um financiamento em 10 parcelas de R$ 110,00 ( o fato de que à vista a geladeira saía por R$ 890,00 não me incomodou em absoluto).

 Naquela época este financiamento era feito por meio de um carnê que só podia ser pago na própria loja das Casas Bahia. Você não podia pagá-lo em bancos, casa lotéricas ou pelo internet banking. Nananina. Apenas na loja do pequeno cangaceiro. Então, todo o mês tinha que arrumar um tempo para dar um pulo até o centro para pagar o maldito carnê.

Lá pela 7a ou oitava parcela, ou seja quando faltavam apenas 2 prestações para me ver livre daquele tormento, a moça do caixa fez um discreto sinal para um vendedor, que se aproximou alegremente da minha humilde pessoa e começou a me oferecer vários itens da loja que haviam entrado em promoção e que estavam com ótimas condições de pagamento. Estranhei, porque até então isto não havia acontecido. Eu pagava todo o mês e saía tranquila, ninguém me abordava. Recusei, pois o fato de ter que ir até lá pagar as prestações me aborrecia muito.

Alguns anos depois li em uma revista de negócios uma reportagem sobre empresas voltadas para a Classe C em que o próprio Samuel Klein, presidente das Casas Bahia, admitia esta prática de manter os clientes de carnê em carnê como uma forma de fidelizar o cliente. Mal terminava um carnê o caixa avisava ao vendedor para tentar empurrar um novo carnê. Daí a importância de se pagar o carnê apenas na própria loja.

Fiquei pasma. Deixar o cliente de baixa renda eternamente endividado com a loja era prática comum e admitida sem problemas pelo presidente da empresa.

Esta semana vivi uma situação parecida que me lembrou muito a estratégia-Casas-Bahia-de-fidelização-do-cliente. A linda história de meu carro financiado e as concessionárias pouco honestas. Mas esta história eu conto no próximo post.

De vez em quando, sinto um desânimo sem nenhuma razão aparente. Nestes dias tenho uma vontade enlouquecida de comprar alguma coisa bem cara mesmo e desistir totalmente de meu plano de investimentos.

Por que isto ocorre?

Porque ter um plano com metas, no caso um plano de alcançar a independência financeira em 180 meses, é algo importante mas também tem um certo peso, já que não deixa de ser um contrato com outra pessoa, no caso eu mesma, mas no futuro. E este tipo de compromisso acaba sendo um pouco opressivo e se você ás vezes está triste ou vulnerável tende a querer fazer algo que te dê prazer imediato e não, talvez um conforto no futuro.

Já senti vontade de jogar tudo para o alto várias vezes. Já me senti tentada a entrar em vários financiamentos caros e longínquos como comprar um mega-carro ou um super apartamento, já quis torrar minhas economias numa tarde de compras no shopping. E isto não faz muito tempo. No entanto, nestes 20 meses de vigência de meu plano de investimentos, ele continua existindo e se desenvolvendo.

Como resisto às tentações?

Tento fazer como Ulisses que pediu para o amarrarem no mastro de seu barco para não ceder ao sedutor canto das sereias.

Em primeiro lugar meu dinheiro não está em ativos líquidos, ou seja, não é fácil nem rápido acessá-lo para sair gastando. Teria que mandar uma ordem de venda para a corretora e esperar 4 dias até que ele estivesse em minha conta corrente, já que nem no mesmo banco está depositado. O dinheiro para as despesas diárias está à disposição, porém muito bem contado e separado. Se resolver gastá-lo, vai faltar para o supermercado ou para a conta de luz. 

Além disso, quando me dá uma vontade incrível de fazer compras no shopping, eu vou até ele, circulo pelas lojas e ligo o meu mega detector de qualidade, experimento roupas e sapatos e faço sempre duas perguntas básicas:

Ficou realmente bem em mim?

O produto é de qualidade?

Raramente um produto passa por essas questões e quando passa eu normalmente saio da loja e dou uma volta para refletir sobre o custo-benefício de adquirir a tal peça.

A última vez em que isto aconteceu, há uns dez dias mais ou menos, não consegui comprar nada. Experimentei algumas coisas que ficaram horríveis e saí orgulhosa por não ter cedido à tristeza. Te dá uma sensação de poder, de ter controle sobre sua vida e seu dinheiro. E de ter finalmente conseguido vencer o canto das sereias.

Muita gente escreveu pedindo planilhas ou perguntando dúvidas sobre os softwares tipo Ms Money e Finance Desktop. Vou tentar responder a todos tratanto deste assunto neste e no próximo post.

A planilha que eu utilizava era do livro Saia do Vermelho,  era um pouco complexa e a leitura do livro era importante para entender como usá-la. A mesma estava disponível no site da editora gratuitamente. Porém, já não está mais. Acho melhor comprar o livro mesmo, lá deve ter indicações de como baixá-la, imagino eu. Comecei a marcar todos os meus gastos nela em maio de 2008 e faço isso até hoje.

No entanto, para fazer um consolidado anual eu utilizava outra planilha, a do Your Life, do Gustavo Cerbasi.  No link abaixo, há inclusive vários simuladores e calculadoras interessantes, além da planilha de orçamento.                                                                      http://www.maisdinheiro.com.br/simuladores/

O Finance Desktop é ótimo, fácil de mexer e permite importar extratos da sua conta on line. É gratuito e nacional. Tem vários recursos interessantes e também gera relatórios e gráficos. Falo mais dele em outro momento.

Na verdade eu uso os três, o ms money, já discutido em outro post, o finance desktop e a planilha do livro. Faço isso, um pouco para testá-los mesmo e também para escolher um que atenda melhor às minhas necessidades, coisa que ainda não fiz.

No dia 13/07/2010 dei uma entrevista ao jornal da record, edição da noite. Falei de muitas coisas, deste blog e de meu grupo de mulheres investidoras que sonha em criar um clube de investimentos.

Porém, foi bastante editada e ficou bem pequenina.

De qualquer forma, segue o link abaixo:

http://noticias.r7.com/videos/descubra-alternativas-para-conseguir-pagar-as-dividas-/idmedia/1afac84f93dbb84b440f3c8923092d77.html

Quando fazia contas desesperada, tentando chegar ao fim do mês, espremendo a última gota de crédito que meu banco poderia me fornecer, para que eu pudesse simplesmente comer, nunca, em meus mais loucos sonhos poderia imaginar que algum dia daria entrevistas a revistas, jornais e à tv  para tratar justamente daquilo que era meu tormento desde a infância, as dívidas.

Quando o jornalista da tv record perguntou se eu tinha mais alguém para indicar para o programa, percebi que não podia citar mais ninguém. Claro, temos aqui nossa comunidade de endividados que se expressa muito bem aqui neste espaço, mas sair na tv é algo que traz muita exposição e  tinha apenas algumas horas até a gravação. Sei que muitos à minha volta tem problemas com dinheiro mas nunca ninguém me falou abertamente sobre o assunto, pois dinheiro no geral é assunto tabu. O repórter acabou arrumando um corajoso casal que se dispôs a falar no seu doloroso processo de reestruturação financeira.

A única coisa que posso dizer é que não devemos sentir vergonha. Digo isso porque sentia muita vergonha na época. Não é pecado dever. Você não é uma pessoa melhor ou pior por causa disso. Faz parte da vida da maior parte das pessoas. E se estiver sozinho e desesperado, procure ajuda. Não sofra sozinho. A solidão neste processo angustia muito, traz tristeza e desalento que podem até, como aconteceu comigo, se transformar em  depressão.

Hoje saiu uma matéria sobre ex-endividados no suplemento feminino do Estadão. Dei uma entrevista que contribuiu um pouco para a reportagem, falando inclusive sobre este blog.  

Segue o link abaixo.

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,passado-vermelho,578507,0.htm

Quinto Passo: analise seu orçamento, veja o que pode ser cortado ou ao menos diminuído. Mas, atenção! Gastos com lazer normalmente representam 2% do orçamento do brasleiro. Não corte cinema, pizza, passeios divertidos, especialmente se estiver gastando horrores com roupas e informática. Cortar lazer só traz amargor para a vida. Falo isso por experiência própria.

 Um exemplo do que pode ser cortado ou modificado é a tv a cabo. Eu tinha um plano master-super que trazia canais do mundo inteiro, 10 canais de fimes, 15 canais infantis, 12 esportivos e 8 científicos. Só que tenho 2 empregos, trabalho de 2a a sábado e simplesmente não assisto mais do que 2 ou 3 canais que  também estão disponíveis no pacote básico. Assim, liguei na Net e exigi a mudança para este pacote mais simples e consegui economizar R$ 100,00 por mês. Isto dá R$ 1.200,00 ao ano, é muita coisa.

Todos estes passos devem ser seguidos com o intuito de haver sobras. Ou seja, que descontados todas as despesas de suas rendas, haja dinheiro excedente para amortizar dívidas e depois investir.

Sexto passo: informar-se sobre economia e investimentos, pensar sobre o futuro e a velhice, bolar um plano de metas para a independência financeira. Falo com mais detalhe sobre este plano em outro post. 

Sétimo e último passo: arrumar outra renda mesmo que provisória. Aumentando a receita, sem aumentar as despesas, há um bom aumento de sobras. Eu mesma arrumei um segundo emprego que permitiu que eu pagasse as dívidas muito mais rapidamente.

 

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