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Na minha longa jornada das dívidas aos investimentos algumas coisas foram muito importantes:

1.Livros:

 

O primeiro, já citado em outro post, foi o que deu início a tudo, um livro bem básico e simples que me ajudou a descobrir que os juros não são só uma arma do mal, podem ser muito do bem, se utilizados em seu favor.

                                

 O segundo Saia do Vermelho  de Mário Juan Leal e Fernando Martins foi super importante para mim por me trazer a planilha que eu uso até hoje para controle de minhas despesas. Neste link é possível baixar a planilha:  www.qualitymark.com.br/product.aspx?product_i…

Além disso traz o método das 3 balanças para pagar as dívidas e controlar o orçamento de uma maneira bem simples e prática.

O terceiro livro Dinheiro: os segredos de quem tem do Gustavo Cerbasi foi bem marcante porque me trouxe o conceito de plano de riqueza, ou seja, a idéia de independência financeira.

São 3 livros super básicos para começo de caminhada mesmo.

 

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Para encurtar a depressiva história da pobreza, e após 2 anos de tratamento para a compulsão por compras com remédios e psicoterapia, e com algumas pequenas recaídas , finalmente perdi o tesão em comprar.

 Descobri os livros de auto-ajuda financeira ao tentar entender a complexa relação entre as pessoas e o dinheiro, ou seja para entender as dívidas acabei encontrando seu reverso, os investimentos. Me apaixonei pelo assunto mas demorei para me organizar e pagar todas as dívidas, no total 8 anos e finalmente comecei um consistente plano de investimentos em novembro de 2008. 

Tive um pequeno ensaio de investimentos em 2003, com pagamento total de dívidas, e poupança de 25% de meus rendimentos, cheguei a ter R$ 10.000,00 em títulos públicos e em papéis do PIBB. Porém entrei num novo ciclo de individamento, torrei meus investimentos e voltei á estaca zero.

 Por volta de 2006, e com o indispensável apoio de meu marido, resolvi elaborar um plano de redução de dívidas que durou 2 anos e a partir daí um plano real de investimentos. Nesse meio tempo li muito, frequentei cursos e palestras.

Agora sou investidora.

 

Ok, ok.

Existiram bons momentos, é claro, em minha vida estudantil. Sempre se pode olhar como Becky Bloom, que aliás eu adoro. De uma forma super divertida e leve.  A questão é que a sensação que me vem daquela época é meio amarga mesmo.

A idéia por trás dessa exposição de sentimentos era mostrar como é possível mudar totalmente um comportamento,  sobrepujar forte herança familiar e realmente melhorar em relação ao dinheiro. Passar de endividada a investidora. E também para dizer que se eu, com todo o meu background consegui, qualquer um consegue.

O livro de Sophie Kinsella, que deu origem ao filme, é uma delícia de ler porque mostra a compulsão por compras de uma forma muito engraçada e extremamente precisa. E acima de tudo dá esperança e conforta os super-endividados.

Recomendo.

Como eu estava contando em outros posts, tinha mania por compras.

 Mudei de cidade muito jovem, sem a menor noção de como o mundo funcionava. Caí numa sociedade extremamente materialista, reacionária, machista e preconceituosa,  aquela  faculdade cara numa cidade do interior.

A diferença em relação aos meus colegas de São Paulo, é que no mesmo período minha mãe e minha irmã se mudaram para o centro-oeste, a mais de 1000km de distância. Só a via nos feriados. A grande maioria dos outros estudantes, até pela proximidade, passava os finais de semana na casa dos pais. Ou seja, de repente me vi numa cidade estranha, numa faculdade pesada em vários sentidos e só, completamente só.

Lembro-me de um vazio enorme que eu tentava preencher de todas as formas sem muito sucesso. Comecei a beber muito, passava muito mal, tive ressacas horríveis e a reputação estilhaçada. Tive alguns amigos, mas não conseguia deixar eles se aproximarem muito. Consegui queimar meu filme de tal forma que a solidão só aumentava. Me sentia inadequada, perdida.

Até que após um regime para emagrecer, comecei a comprar roupas novas, com meu federal card, meu primeiro cartão de crédito. Senti um prazer enorme. Lembo do meu coração acelerado e de uma sensação de euforia incrível subindo pelas minhas pernas. Pronto, pensei no alto da minha ingenuidade, descobri mais um jeito de preencher meu vazio e de talvez ser melhor aceita.

Para  mim, o mundo foi mesmo um moinho.

 

Finalmente depois de um certo tempo descobri um jeito de comprar o MS Money 99.

Para quem não sabe o Ms Money é um antigo software de gerenciamento de finanças pessoais que a Microsoft criou no fim da década de 90. Em português só saiu 2 versões, em 1998 e em 1999. E nunca mais. Foram lançadas várias versões em inglês depois disso mas em português, neca. Além disso, se você tentar contactar a Microsoft com o intuito de comprar o velho software,  eles te respondem que o produto foi descontinuado. Ou seja, difícil, muito difìcil.

Mas uma mulher brasileira não desiste nunca.

Descobri um cara em Minas que vende o software pelo TodaOferta, espécie de mercado livre do uol. Depois de um breve contato por e-mail, fiz um depósito em confiança na conta dele e ele me mandou por e-mail um link e por este link consegui instalá-lo no meu netbook. O que foi ótimo, pois meu pequeno ordinateur não possui drive de cd. Como o meu sistema operacional é o XP não tive maiores problemas. Mas se fosse o Vista ou o 7 teria que seguir um caminho meio complicado para instalá-lo.

Estou me divertindo muito com ele. É meio complexo de mexer, até comprei um livro para me ajudar, Finanças Pessoais com o Microsoft Money de Marcos Aurélio Pimentel Vieira, que dá uma boa introdução ao programa. O legal do money, e que normalmente as planilhas simples não fazem, é que ele monta gráficos, relatórios e você pode simular transações e prever a evolução de saldos e investimentos.

Muito legal,  embora um tantinho complicado, recomendo.

 

 

Éramos pobres mas minha mãe nunca aceitou isso.

O que por um lado foi bom porque acabei estudando em uma ótima escola por causa da teimosia da minha mãe.  Por outro lado, era uma criança pobre vivendo entre crianças muito ricas. Isto era embaraçoso, às vezes, pois eu sentia vergonha de não ter aqueles brinquedos, nem aquelas roupas bregas dos anos oitenta, rsrs.

Tínhamos uma Variant II verde, muito velha e feia e era com este carro que minha mãe me buscava na escola. Lembro que tinha muito constrangimento com isso, insegura que era.

Esta vontade de ter coisas me acompanhou por muito tempo. E foi a causa primeira de tudo o que aconteceu depois. Porque depois foi pior. Fui para uma faculdade de mensalidade muito cara, tão cara que o salário de professora de minha mãe era menos do que o valor de uma  mensalidade.

As pessoas,  meus colegas eram mais ricas ainda que os da escola e além disso tive que mudar de cidade, sair de casa mesmo, coisa para a qual, analisando agora, não estava preparada.

De qualquer forma obtive um tipo de financiamento estudantil, o antigo CREDUC, com facilidade, visto o tamanho da pobreza de minha família. Era um empréstimo mais vantajoso que o FIES atual, pois as taxas de juros eram baixas, não precisávamos de fiador, tínhamos carência de um ano para começar a pagar e uma vez e meia o tempo de curso para pagar a dívida.

Numa das renovações do contrato, a cada 6 meses tínhamos que assinar a renovação do contrato do CREDUC na Caixa Econômica, uma funcionária me ofereceu o  FEDERAL CARD. Imagine só oferecer um cartão de crédito para um estudante, portanto sem renda própria,  assinando contrato de empréstimo. Vê se pode uma coisa dessas.

Adquiria assim minhas primeiras dívidas e o início da bola de neve.

 

Num dos comentários a Glória me perguntou quem eu sou, o que penso, quais são minhas aspirações. Aliás, Glória, parabéns pelo seu blog, é preciso muita coragem para empreender.

Perguntas profundas e que nos fazem refletir.

Díficil responder quem sou eu. Ou pelo menos fiquei pensando bastante sobre o assunto antes de chegar a uma conclusão.

 Sou ex-viciada em compras, ex-endividada e agora sou investidora.

Adoro economia, finanças pessoais e literatura. Minha aspiração maior é tentar mudar um pouquinho a idéia que as pessoas tem do dinheiro e uma bem menor é montar um clube de investimentos.

O resto não importa tanto.

Mas vou desenvolvendo melhor este resto conforme o texto fluir com mais leveza.

Sempre fui pobre. Pobre no sentido econômico do termo. Não no sentido intelectual ou de sentimentos. Mas sempre com fluxo de caixa negativo, ou seja, as saídas de dinheiro sempre bem maiores que as entradas.

Lembro-me de quando tinha 6 anos de idade e minha mãe já reclamava da falta de dinheiro. Nunca tínhamos dinheiro para as coisas.

Vivíamos em época de inflação galopante e isso disfarçava o fato de que minha mãe lidava muito mal com as finanças da família. Era muito mais fácil culpar o governo,  os Estados-Unidos, os capitalistas,  os banqueiros ou a desigualdade social.  Não sabia, na época, que estes fatores todos eram apenas uma pequena parte do problema.

Quando tinha 26 anos, já com terríveis problemas de dinheiro, eu que sempre gostei de ler e vivia em livrarias (livros sempre foram os únicos produtos que eu comprava sem culpa) vi um livro exposto na vitrine. Chamava-se  Investimentos e tinha sido escrito por Mauro Halfeld.

Ainda me recordo de um certo desdém que senti ao vê-lo, afinal como filha de intelectuais não considerava livros de auto-ajuda como literatura de verdade. Só lia romances difíceis de cunho filosófico ou pelo menos com um jogo de espelhos e algum paralelismo  narrativo (rsrs).

Mal sabia eu que me tornaria um caso raro em que os livros de auto-ajuda realmente ajudaram e,  de certa forma, me curaram.

 

 

 Porque sempre cometi todos os erros com dinheiro que todos cometem em maior ou menor grau. Tive compulsão por compras, muita dificuldade com números e tabelas, título de capitalização ( é, eu também) e dívidas, muitas dívidas, de 10, 20 vezes o meu salário.

E, após longos 8 anos de cabeçadas, muito choro, angústia de não comprar aquele vestido liiindo, fazer aquela viagem, me tornei, pasmem, uma investidora!!!

Para começar um novo ciclo em minha vida, resolvi criar este blog. A ideia é tratar de dívidas,  finanças pessoais e  investimentos de um modo bem simples e divertido.