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Pessoas com problemas com autocontrole, como eu, precisam de orçamentos, planilhas e muito planejamento.  Ou seja, não dá para viver no piloto automático. Não dá para viver ao sabor do vento, comprando e gastando sem pensar nem refletir sobre o assunto. Se eu fizer isso simplesmente entro de novo na roda viva das dívidas. E isso, nunca mais.

Tratar compulsão por compras é parecido com o tratamento para álcool e drogas, só que não dá para deixar de gastar completamente. O ato de gastar é necessário para a subsistência de qualquer pessoa, precisamos comer, vestir, pagar as contas da casa, os impostos. No tratamento para álcool e drogas as pessoas ficam dias, meses sem beber, ou se drogar, mas não podemos ficar dias ou meses sem gastar nada. Então como podemos controlar o impulso de comprar?

Num primeiro momento é necessário abrir mão de cartões de crédito, cheque especial ou qualquer forma de crédito. É preciso ter apenas um cartão de débito simples e uma programação de gastos bem rígida até que se paguem todas as chamadas dívidas ruins. Comigo foi assim por uns 2 anos, até que. após ter pago quase todas, senti que poderia ter os cartões e os limites de volta. Alguns meses depois esteva de novo com o nome no SPC.

As recaídas fazem parte de qualquer tratamento para compulsão e comigo não foi diferente. Só que eu já tinha toda a informação sobre finanças pessoais, dívidas e investimentos, o que me deixou muito deprimida. Sabia  que eu tinha que fazer um orçamento e começar a poupar. Sabia que estava perdendo oportunidades ótimas de investimento e não conseguia. Fiquei muito mal.

 

Conheço algumas pessoas assim. Gostam de finanças pessoais, querem ter um plano de enriquecimento mas não conseguem colocá-lo em prática. Ou por estarem afundadas em dívidas, ou por não conseguirem boa renda, ou por não suportarem a rotina de um emprego maçante.

Já passei por estas 3 situações e posso afirmar com segurança, que se eu consegui, qualquer um consegue. Sério. Só é preciso tempo e paciência, muita paciência.

Para mim, levou 8 anos.

 

 

Sou investidora em ações desde 2008 e entrei direto no meio da maior crise do mercado em muitos anos, a do subprime americano. Era interessante lembrar como todos a minha volta diziam que não se devia entrar naquele momento pois talvez estivéssemos diante de um ciclo de baixa severa, uma nova grande depressão e que talvez, como na década de 30, o mercado e as bolsas levariam 10 anos para se recuperarem. Sério, ouvi isto de um economista em um programa de tv.

Mas por acompanhar o mercado como observadora há 8 anos, desde que, ao buscar ajuda para resolver um problema com dívidas, descobri o mundo dos investimentos e das finanças pessoais, comecei a pensar por mim mesma no que eu tinha de informações. Tinha lido muitos livros e feito cursos mas ainda não tinha comprado ações.

Assim sendo, decidi não esperar e comprei minhas primeiras ações. E deu muito certo. No ano seguinte tive boa valorização, 70%, e me senti muito bem. Mas da mesma forma que o pessimismo de 2008 era exagerado a euforia do final de 2009 também era. Minha intuição me disse para vender as ações e realizar os lucros mas lembrei dos meus objetivos de longo prazo e fiquei quieta.

Agora, em maio de 2010, as ações despencaram e continuo quieta, não tenho ordens de stop nem hedge para vender assim que os preços caiam muito. Não. Estou aproveitando para comprar de novo a preços ótimos. Mas devo admitir que a sensação de pânico também me acomete, tenho vontade de vender e ir para a segurança da renda fixa, mas me controlo. As emoções me inundam, sim, sinto o clima tenso, fico chateada com as quedas mas não cedo á tentação. Penso nos meus objetivos e fico firme. Isto não é simples mas com um pouco de paciência dá para fazer.

 

O problema de se curar de uma compulsão por compras é que normalmente você é levada para o outro extremo. O da pão-duragem explícita. Não consigo mais comprar, por prazer, coisas inúteis. Tenho que sempre comprar coisas que estou precisando,  com desconto e preços ótimos se não, nada feito.

Hoje fui a uma loja de departamentos e comprei 4 peças de roupa que realmente estava precisando e mesmo assim me sinto terrivelmente culpada. Meio mal mesmo.

Não gosto disso, mas fazer o quê.

 

Terminei hoje de ler Complexo de Sabotagem. O livro, indicado pela Ção que fez um comentário aqui no blog, foi escrito no final da década de 90 por Colette Dowling.  Não tinha em nenhuma livraria que frequento e estava esgotado na editora .  Acabei encontrando-o, num golpe de sorte, na livraria  virtual da Saraiva.

 

A autora escreveu um best-seller na década de 80 chamado Complexo de Cinderela. Falava basicamente sobre a dificuldade das mulheres em controlarem suas próprias vidas e sempre esperarem um príncipe para a salvarem.  Neste livro o tema é bem parecido, porém focado no controle do dinheiro e na indepedência financeira.

A própria Colette conta como, por não saber como administrar suas finanças,  nem controlar sua compulsão por compras, perdeu todo o dinheiro que ganhou com seu livro de sucesso.  Inclusive os 2 imóveis que comprou e até sua mobília,  por conta de dívidas com a Receita Federal americana.

A idéia básica do livro é que se deve lutar para construir uma carreira,  aprender a administrar seu próprio dinheiro e evitar ao máximo delegar este manejo a outrem. Sem lidar com as próprias finanças não é possível ser verdadeiramente livre e independente

Apesar de ser ás vezes muito junguiana nas análises psicológicas das mulheres que menciona, o que irrita um pouco, é um livro importante pois traz um enfoque diferente ao tema mulheres e dinheiro que de tão real, incomoda.

Recomendo.

Assim como para emagrecer, não há solução mágica para o problema das dívidas. É preciso disciplina, determinação e muita paciência. O primeiro passo e um dos mais dolorosos é conhecer o tamanho e a variedade do monstro. É preciso destrinchar extratos, faturas, contratos e saber quanto se deve em cada um dos emprétimos feitos as vezes ao longo de uma vida inteira de gastança descontrolada.

Isto é tão difícil e doloroso que faz com que as pessoas fiquem paralisadas de medo e nunca comecem um programa efetivo de redução de débitos. Muitos procastinam, ou seja deixam para outro dia e nunca se deparam realmente com seu problema em toda a sua plenitude.

Só que sem saber quanto se deve e para quem e a que taxa de juros, não é possível começar a enfrentar a criatura e ficamos presos num presente terrível em que não são possíveis planos nem sonhos.

Comece sempre pela dívida mais cara e vá listando uma a uma até chegar ao montante final. No Brasil, normalmente, o cartão de crédito e o cheque especial são as modalidades de crédito mais caras, o primeiro com uma taxa de juros de 10 a 12 % ao mês, isto mesmo ao mês, e o segundo de 8 a 12%.

Depois vêm os empréstimos pessoais, cdc, crédito consignado e os financiamentos de carro e de imóveis.

Liste tudo, calcule a taxa de juros e veja quantas parcelas faltam. Se tiver dúvidas ligue para a instituição e obtenha as informações que você precisa.

Encare o monstro de frente para que então você possa enfrentá-lo . 

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2. Cursos e Palestras:

Além dos livros outro fator importante para o desenho de um plano de riqueza são os cursos e palestras e de preferência os presenciais. Claro que os cursos on-line são importantes , mas ao vivo você interage com as pessoas, tira dúvidas e troca experiências o que acaba valorizando muito a experiência.

Os mais importantes para mim foram:

a) INI- Instituto Nacional do Investidor

 www.ini.org.br

Este instituto desenvolve várias ações para a difusão da cultura do investimento em ações em uma estratégia de longo prazo, ou seja, comprar ações após estudar bem a empresa e ficar com as ações por bastante tempo com o objetivo de ganharem valor em pelo menos 20% ao ano. São ministrados vários cursos e disponibilizado um software com informações sobre todas as empresas listadas em bolsa. É preciso tornar-se sócio para obter o software e a anuidade é de R$ 75,00. Os cursos e palestra também são pagas, em torno de R$ 250,00 cada.

 

b) BMF Bovespa

 http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/educacional/cursos/cursos.aspx?idioma=pt-br

Na própria bolsa existem cursos muito bons sobre controle do orçamento doméstico,  finanças pessoais e introdução ao mercado de ações. São bem introdutórios e acessíveis e o mais legal é você conhecer o prédio da bolsa e visualizar aonde era o pregão e o ambiente de negócios. Os cursos são gratuitos.

c) Espaço Dela

www.espacodela.com.br

A corretora Gradual desenvolveu este espaço para educação financeira voltada para mulheres. É uma iniciativa séria e muito competente. Proporciona um blog muito interessante com temas variados, adoro a seção de finanças comportamentais ( seu dinheiro no divã) e palestras gratuitas que, por serem voltadas para o público feminino, tem um ambiente agradável e mais descontraído. Gosto muito das palestras da Cláudia Kodja sobre trabalho e empreendedorismo feminino. Fiz grandes amigas neste espaço e com elas pretendo mais para frente criar um clube de investimentos.