You are currently browsing the monthly archive for junho 2010.

Falo muito de dívidas e da dificuldade de fazer o salário durar o mês inteiro. De como é difícil ver que o pagamento mal caiu e já foi engolido pelos juros, taxas e limites e que não há mais nada para passar o mês. Situação muito comum e muito aflitiva.

Porém existe outro quadro bastante corriqueiro e bem menos desesperador que pouco discuto, a do empate. O empate ocorre quando a renda total empata com as despesas, ou seja, a pessoa não deve nada, não entra no cheque especial, não tem dívidas no cartão, porém também não poupa nada pois não há sobras.

 

Roseli Braga, de 37 anos é assim. Não tem dívidas ruins, está quitando seu apartamento financiado mas não possui investimentos. Disse que desde que me conheceu anda refletindo sobre suas finanças pessoais e não sabe como fazer sobrar dinheiro ao final do mês.

O problema justamente é esse, esperar até o final do mês. Se fizermos isso provavelmente, não sobrará. Sempre surgirão situações que nos levarão a gastar se houver saldo na sua conta. As tentações são muitas e é difícil resistir.

Eu pago ao meu futuro, primeiro. Como tenho problemas de autocontrole e preciso de planilhas, sei exatamente quanto vou precisar para passar o mês e pagar minhas despesas.  Sendo assim, tudo o que passar deste valor poderá ser investido. Mas isto tem que ser feito no dia do pagamento, ou seja, assim que recebo, já faço a transferência deste excedente para a corretora em que faço meus investimentos. Bem longe de minha conta corrente e de meus gastos diários.

A porcentagem varia mas procuro guardar pelo menos 10% de meus rendimentos e faço isto todos os meses. Você pode começar com 2, 5% e ir aumentando aos poucos. Ao mesmo tempo, procure conhecer as modalidades de investimento existentes para ir amadurecendo melhor seu plano para o futuro.

 

 

Anúncios

O mercado imobiliário brasileiro passa por um boom sem precedentes, talvez comparável apenas ao milagre econômico do início da década de 70. Há uma  enorme carência de moradias em nosso país e 9 em 10 brasileiros acalenta o sonho da casa própria. Assim, o Brasil se tornou um terreno fértil para a expansão dos financiamentos imobiliários, incentivos às construtoras e incorporadoras e multipicação de prédios em construção nas grandes cidades.

Dentre os principais incentivos, está  o programa  Minha Casa  Minha Vida voltado para a população de menor poder aquisitivo, com menores taxas de juros e prazos de financiamentos mais longos.

Ótimo, não?

Bem, o problema maior disso tudo é que estamos falando da maior dívida que uma pessoa assume ao longo de sua vida. E no frigir dos ovos não houve grande diminuição da taxa de juros. Houve sim um importante aumento do prazo de financiamento, até 30 anos,  menor burocracia na hora de contratar um empréstimo e quase não se exige entrada. Mais ou menos como um financiamento de automóvel. O que significa que TODO O MUNDO a minha volta está comprando apartamento e o pior, na planta.

Outra coisa que me aflige é que os preços estão subindo vertiginosamente. Há 5 anos com R$ 200.000,00 se comprava um bom apartamento na região central de São Paulo. Hoje, o mesmo apartamento, não sai por menos de R$ 500.000,00, também, é claro, na planta.

Imagine uma pessoa de baixo salário, com 30% de seu salário empatado num empréstimo de 30 anos, morando num minúsculo apartamento. Pagando 2, 3 apartamemtos ao final do financiamento. E às vezes o apartamento nem está construído, é um pedaço de nuvem. Um pedaço de nuvem caro que ninguém garante que irá se valorizar o suficiente para compensar o alto valor dos juros.

Para mim, está mais para pesadelo que para sonho.