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De vez em quando, sinto um desânimo sem nenhuma razão aparente. Nestes dias tenho uma vontade enlouquecida de comprar alguma coisa bem cara mesmo e desistir totalmente de meu plano de investimentos.

Por que isto ocorre?

Porque ter um plano com metas, no caso um plano de alcançar a independência financeira em 180 meses, é algo importante mas também tem um certo peso, já que não deixa de ser um contrato com outra pessoa, no caso eu mesma, mas no futuro. E este tipo de compromisso acaba sendo um pouco opressivo e se você ás vezes está triste ou vulnerável tende a querer fazer algo que te dê prazer imediato e não, talvez um conforto no futuro.

Já senti vontade de jogar tudo para o alto várias vezes. Já me senti tentada a entrar em vários financiamentos caros e longínquos como comprar um mega-carro ou um super apartamento, já quis torrar minhas economias numa tarde de compras no shopping. E isto não faz muito tempo. No entanto, nestes 20 meses de vigência de meu plano de investimentos, ele continua existindo e se desenvolvendo.

Como resisto às tentações?

Tento fazer como Ulisses que pediu para o amarrarem no mastro de seu barco para não ceder ao sedutor canto das sereias.

Em primeiro lugar meu dinheiro não está em ativos líquidos, ou seja, não é fácil nem rápido acessá-lo para sair gastando. Teria que mandar uma ordem de venda para a corretora e esperar 4 dias até que ele estivesse em minha conta corrente, já que nem no mesmo banco está depositado. O dinheiro para as despesas diárias está à disposição, porém muito bem contado e separado. Se resolver gastá-lo, vai faltar para o supermercado ou para a conta de luz. 

Além disso, quando me dá uma vontade incrível de fazer compras no shopping, eu vou até ele, circulo pelas lojas e ligo o meu mega detector de qualidade, experimento roupas e sapatos e faço sempre duas perguntas básicas:

Ficou realmente bem em mim?

O produto é de qualidade?

Raramente um produto passa por essas questões e quando passa eu normalmente saio da loja e dou uma volta para refletir sobre o custo-benefício de adquirir a tal peça.

A última vez em que isto aconteceu, há uns dez dias mais ou menos, não consegui comprar nada. Experimentei algumas coisas que ficaram horríveis e saí orgulhosa por não ter cedido à tristeza. Te dá uma sensação de poder, de ter controle sobre sua vida e seu dinheiro. E de ter finalmente conseguido vencer o canto das sereias.

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Muita gente escreveu pedindo planilhas ou perguntando dúvidas sobre os softwares tipo Ms Money e Finance Desktop. Vou tentar responder a todos tratanto deste assunto neste e no próximo post.

A planilha que eu utilizava era do livro Saia do Vermelho,  era um pouco complexa e a leitura do livro era importante para entender como usá-la. A mesma estava disponível no site da editora gratuitamente. Porém, já não está mais. Acho melhor comprar o livro mesmo, lá deve ter indicações de como baixá-la, imagino eu. Comecei a marcar todos os meus gastos nela em maio de 2008 e faço isso até hoje.

No entanto, para fazer um consolidado anual eu utilizava outra planilha, a do Your Life, do Gustavo Cerbasi.  No link abaixo, há inclusive vários simuladores e calculadoras interessantes, além da planilha de orçamento.                                                                      http://www.maisdinheiro.com.br/simuladores/

O Finance Desktop é ótimo, fácil de mexer e permite importar extratos da sua conta on line. É gratuito e nacional. Tem vários recursos interessantes e também gera relatórios e gráficos. Falo mais dele em outro momento.

Na verdade eu uso os três, o ms money, já discutido em outro post, o finance desktop e a planilha do livro. Faço isso, um pouco para testá-los mesmo e também para escolher um que atenda melhor às minhas necessidades, coisa que ainda não fiz.

No dia 13/07/2010 dei uma entrevista ao jornal da record, edição da noite. Falei de muitas coisas, deste blog e de meu grupo de mulheres investidoras que sonha em criar um clube de investimentos.

Porém, foi bastante editada e ficou bem pequenina.

De qualquer forma, segue o link abaixo:

http://noticias.r7.com/videos/descubra-alternativas-para-conseguir-pagar-as-dividas-/idmedia/1afac84f93dbb84b440f3c8923092d77.html

Quando fazia contas desesperada, tentando chegar ao fim do mês, espremendo a última gota de crédito que meu banco poderia me fornecer, para que eu pudesse simplesmente comer, nunca, em meus mais loucos sonhos poderia imaginar que algum dia daria entrevistas a revistas, jornais e à tv  para tratar justamente daquilo que era meu tormento desde a infância, as dívidas.

Quando o jornalista da tv record perguntou se eu tinha mais alguém para indicar para o programa, percebi que não podia citar mais ninguém. Claro, temos aqui nossa comunidade de endividados que se expressa muito bem aqui neste espaço, mas sair na tv é algo que traz muita exposição e  tinha apenas algumas horas até a gravação. Sei que muitos à minha volta tem problemas com dinheiro mas nunca ninguém me falou abertamente sobre o assunto, pois dinheiro no geral é assunto tabu. O repórter acabou arrumando um corajoso casal que se dispôs a falar no seu doloroso processo de reestruturação financeira.

A única coisa que posso dizer é que não devemos sentir vergonha. Digo isso porque sentia muita vergonha na época. Não é pecado dever. Você não é uma pessoa melhor ou pior por causa disso. Faz parte da vida da maior parte das pessoas. E se estiver sozinho e desesperado, procure ajuda. Não sofra sozinho. A solidão neste processo angustia muito, traz tristeza e desalento que podem até, como aconteceu comigo, se transformar em  depressão.

Hoje saiu uma matéria sobre ex-endividados no suplemento feminino do Estadão. Dei uma entrevista que contribuiu um pouco para a reportagem, falando inclusive sobre este blog.  

Segue o link abaixo.

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,passado-vermelho,578507,0.htm

Quinto Passo: analise seu orçamento, veja o que pode ser cortado ou ao menos diminuído. Mas, atenção! Gastos com lazer normalmente representam 2% do orçamento do brasleiro. Não corte cinema, pizza, passeios divertidos, especialmente se estiver gastando horrores com roupas e informática. Cortar lazer só traz amargor para a vida. Falo isso por experiência própria.

 Um exemplo do que pode ser cortado ou modificado é a tv a cabo. Eu tinha um plano master-super que trazia canais do mundo inteiro, 10 canais de fimes, 15 canais infantis, 12 esportivos e 8 científicos. Só que tenho 2 empregos, trabalho de 2a a sábado e simplesmente não assisto mais do que 2 ou 3 canais que  também estão disponíveis no pacote básico. Assim, liguei na Net e exigi a mudança para este pacote mais simples e consegui economizar R$ 100,00 por mês. Isto dá R$ 1.200,00 ao ano, é muita coisa.

Todos estes passos devem ser seguidos com o intuito de haver sobras. Ou seja, que descontados todas as despesas de suas rendas, haja dinheiro excedente para amortizar dívidas e depois investir.

Sexto passo: informar-se sobre economia e investimentos, pensar sobre o futuro e a velhice, bolar um plano de metas para a independência financeira. Falo com mais detalhe sobre este plano em outro post. 

Sétimo e último passo: arrumar outra renda mesmo que provisória. Aumentando a receita, sem aumentar as despesas, há um bom aumento de sobras. Eu mesma arrumei um segundo emprego que permitiu que eu pagasse as dívidas muito mais rapidamente.

 

 .

Vamos então falar da parte prática do combate às dividas e do início de um plano de independência financeira.

Primeiro passo: listar num caderninho, planilha ou software tudo o que você gasta no seu dia-a-dia. Tudo mesmo. Não esqueça o cafezinho, chicletinho, gorjeta ou esmola. Este controle é muito importante pois te dará um quadro geral de seus gastos diários. Isto deve ser feito pelo menos por 3 meses. Como já contei antes, por ter problemas sérios de autocontrole, faço isso desde maio de 2008 até hoje. Eu sei, é chato, mas não tem jeito, tem que ser feito.

Segundo passo: levantar todas as despesas mensais fixas, aluguel, condomínio, contas de água, luz, telefone, internet, celular, escola, e outros. Neste grupo coloque todas as despesas fixas e obrigatórias. Pode colocar também as prestações de financiamento de carro e casa e até outras dívidas fixas, como as de CDC e empréstimo pessoal.

Terceiro passo e mais doloroso: levantar as chamadas dívidas ruins: cartão de crédito, cheque especial, dívidas com financeiras e agiotas. Descubra seu montante total e taxa de juros de cada uma. Corte cartões de crédito, ou pelo menos, não ande com eles na bolsa. Tente negociar com bancos um parcelamento destas dívidas e as pague o quanto antes.

Quarto passo: construa uma planilha de orçamento pessoal. Coloque no início todas as suas rendas, de preferência àquelas garantidas, ou se for autônomo, faça uma média de suas receitas do ano anterior e coloque como renda certa apenas aquele valor mínimo que você sempre recebeu. Embaixo, coloque seus gastos fixos, depois os variáveis, que você descobriu a partir da anotação dos gatos do primeiro passo, e em seguida, ponha as dívidas ruins.

Eu comecei com uma planilha que vinha com o livro Saia do Vermelho, que era  bem completa, dava para fazer o controle diário e mensal. Depois, uma vez por ano, fazia o consolidado anual com outra planilha.

Hoje, utilizo o Ms Money que é um software bem completo que consegue fazer todos os controles e ainda constrói gráficos e relatórios. Já usei também o do Finance Desktop, que é nacional e gratuito e funciona muito bem.

Mãos à obra.

Algumas pessoas me perguntam como consegui mudar minha vida financeira. Eu mesma, às vezes, não acredito que realmente consegui.

Na verdade, para todos que têm dívidas, não há caminho fácil e rápido. É sempre trabalhoso e difícil, pois envolve mudanças de hábito profundas.

Infelizmente neste caso, não há soluções mágicas. Nem mesmo rápidas.

Os livros que li no início foram importantes pois me deram um objetivo claro, um plano de metas. Antes eu não tinha isso. Achava que era impossível e pronto. Culpava o mundo, os capitalistas, os EUA, só não entendia que a maior responsável era eu mesma.

Com eles, naquelas viagens, comecei a ver que a solução era clara. Tão clara que às vezes não vemos.

Simplesmente precisamos gastar menos ou ganhar mais. É matemática elementar.

 Não há outro caminho.

Um dia, num livro, percebi que minha vida poderia ser diferente. Que eu poderia ser livre e ter sonhos.

Para mim, que estava com nome no SPC e devia um ano de salário ao banco, parecia  impossível.

Num livro vi um gráfico, para quem entende de matemática perceberia que se tratava de um gráfico de função exponencial. Ele relacionava dinheiro e tempo, traduzindo um conceito simples, o de que, com muito tempo e com pouco dinheiro, qualquer pessoa poderia acumular 1 milhão de reais.

Êpa? Como assim?

1 milhão?!

Pois é.

É claro que depois o livro explicava que você teria de ter certo rendimento na aplicação dos recursos ( 1% ao mês, pelo menos, o que por si só já era, e ainda é, bem difícil), e deveria considerar a inflação do período, que não seria nada desprezível. Mas mesmo assim, o que foi muito impressionante e, por isso mesmo, transformador, foi a mera existência da possibilidade.

Meus pais eram de esquerda, lutaram contra a ditadura militar e sempre me disseram que era impossível ser rico por meio do trabalho honesto. Riqueza era para os capitalistas que, ou nasciam ricos, ou,depois de anos explorando os trabalhadores, se tornavam abastados de maneira torpe.

Na época, dezembro de 2002,  morava em Santos e trabalhava em São Paulo. Ia e voltava todos os dias. Acordava às 5:00 e voltava às 20:00, exausta. Ia de ônibus fretado e para passar o tempo na viagem, comecei a levar livros para ler. Um dia, peguei este livro que estava num canto de minha estante, Investimentos do Mauro Halfeld. 

Lembro que me sentia presa num trabalho e num tipo de vida que odiava por causa das dívidas e de meus diversos compromissos financeiros. Trabalhava tanto apenas para pagar aos outros, nada sobrava para mim mesma, nem mesmo para pequenos agrados. Me sentia como no mito de Sísifo, subindo minha enorme pedra durante todo o dia apenas para vê-la deslizar novamente e ter que subí-la no dia seguinte e no outro e no outro, num tormento sem fim.

Assim, naquele gráfico eu enxerguei pela primeira vez uma saída e adquiri um sonho, não de iates, jatinhos ou jóias mas sim de liberdade.