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Quinto Passo: analise seu orçamento, veja o que pode ser cortado ou ao menos diminuído. Mas, atenção! Gastos com lazer normalmente representam 2% do orçamento do brasleiro. Não corte cinema, pizza, passeios divertidos, especialmente se estiver gastando horrores com roupas e informática. Cortar lazer só traz amargor para a vida. Falo isso por experiência própria.

 Um exemplo do que pode ser cortado ou modificado é a tv a cabo. Eu tinha um plano master-super que trazia canais do mundo inteiro, 10 canais de fimes, 15 canais infantis, 12 esportivos e 8 científicos. Só que tenho 2 empregos, trabalho de 2a a sábado e simplesmente não assisto mais do que 2 ou 3 canais que  também estão disponíveis no pacote básico. Assim, liguei na Net e exigi a mudança para este pacote mais simples e consegui economizar R$ 100,00 por mês. Isto dá R$ 1.200,00 ao ano, é muita coisa.

Todos estes passos devem ser seguidos com o intuito de haver sobras. Ou seja, que descontados todas as despesas de suas rendas, haja dinheiro excedente para amortizar dívidas e depois investir.

Sexto passo: informar-se sobre economia e investimentos, pensar sobre o futuro e a velhice, bolar um plano de metas para a independência financeira. Falo com mais detalhe sobre este plano em outro post. 

Sétimo e último passo: arrumar outra renda mesmo que provisória. Aumentando a receita, sem aumentar as despesas, há um bom aumento de sobras. Eu mesma arrumei um segundo emprego que permitiu que eu pagasse as dívidas muito mais rapidamente.

 

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Vamos então falar da parte prática do combate às dividas e do início de um plano de independência financeira.

Primeiro passo: listar num caderninho, planilha ou software tudo o que você gasta no seu dia-a-dia. Tudo mesmo. Não esqueça o cafezinho, chicletinho, gorjeta ou esmola. Este controle é muito importante pois te dará um quadro geral de seus gastos diários. Isto deve ser feito pelo menos por 3 meses. Como já contei antes, por ter problemas sérios de autocontrole, faço isso desde maio de 2008 até hoje. Eu sei, é chato, mas não tem jeito, tem que ser feito.

Segundo passo: levantar todas as despesas mensais fixas, aluguel, condomínio, contas de água, luz, telefone, internet, celular, escola, e outros. Neste grupo coloque todas as despesas fixas e obrigatórias. Pode colocar também as prestações de financiamento de carro e casa e até outras dívidas fixas, como as de CDC e empréstimo pessoal.

Terceiro passo e mais doloroso: levantar as chamadas dívidas ruins: cartão de crédito, cheque especial, dívidas com financeiras e agiotas. Descubra seu montante total e taxa de juros de cada uma. Corte cartões de crédito, ou pelo menos, não ande com eles na bolsa. Tente negociar com bancos um parcelamento destas dívidas e as pague o quanto antes.

Quarto passo: construa uma planilha de orçamento pessoal. Coloque no início todas as suas rendas, de preferência àquelas garantidas, ou se for autônomo, faça uma média de suas receitas do ano anterior e coloque como renda certa apenas aquele valor mínimo que você sempre recebeu. Embaixo, coloque seus gastos fixos, depois os variáveis, que você descobriu a partir da anotação dos gatos do primeiro passo, e em seguida, ponha as dívidas ruins.

Eu comecei com uma planilha que vinha com o livro Saia do Vermelho, que era  bem completa, dava para fazer o controle diário e mensal. Depois, uma vez por ano, fazia o consolidado anual com outra planilha.

Hoje, utilizo o Ms Money que é um software bem completo que consegue fazer todos os controles e ainda constrói gráficos e relatórios. Já usei também o do Finance Desktop, que é nacional e gratuito e funciona muito bem.

Mãos à obra.

Algumas pessoas me perguntam como consegui mudar minha vida financeira. Eu mesma, às vezes, não acredito que realmente consegui.

Na verdade, para todos que têm dívidas, não há caminho fácil e rápido. É sempre trabalhoso e difícil, pois envolve mudanças de hábito profundas.

Infelizmente neste caso, não há soluções mágicas. Nem mesmo rápidas.

Os livros que li no início foram importantes pois me deram um objetivo claro, um plano de metas. Antes eu não tinha isso. Achava que era impossível e pronto. Culpava o mundo, os capitalistas, os EUA, só não entendia que a maior responsável era eu mesma.

Com eles, naquelas viagens, comecei a ver que a solução era clara. Tão clara que às vezes não vemos.

Simplesmente precisamos gastar menos ou ganhar mais. É matemática elementar.

 Não há outro caminho.

Um dia, num livro, percebi que minha vida poderia ser diferente. Que eu poderia ser livre e ter sonhos.

Para mim, que estava com nome no SPC e devia um ano de salário ao banco, parecia  impossível.

Num livro vi um gráfico, para quem entende de matemática perceberia que se tratava de um gráfico de função exponencial. Ele relacionava dinheiro e tempo, traduzindo um conceito simples, o de que, com muito tempo e com pouco dinheiro, qualquer pessoa poderia acumular 1 milhão de reais.

Êpa? Como assim?

1 milhão?!

Pois é.

É claro que depois o livro explicava que você teria de ter certo rendimento na aplicação dos recursos ( 1% ao mês, pelo menos, o que por si só já era, e ainda é, bem difícil), e deveria considerar a inflação do período, que não seria nada desprezível. Mas mesmo assim, o que foi muito impressionante e, por isso mesmo, transformador, foi a mera existência da possibilidade.

Meus pais eram de esquerda, lutaram contra a ditadura militar e sempre me disseram que era impossível ser rico por meio do trabalho honesto. Riqueza era para os capitalistas que, ou nasciam ricos, ou,depois de anos explorando os trabalhadores, se tornavam abastados de maneira torpe.

Na época, dezembro de 2002,  morava em Santos e trabalhava em São Paulo. Ia e voltava todos os dias. Acordava às 5:00 e voltava às 20:00, exausta. Ia de ônibus fretado e para passar o tempo na viagem, comecei a levar livros para ler. Um dia, peguei este livro que estava num canto de minha estante, Investimentos do Mauro Halfeld. 

Lembro que me sentia presa num trabalho e num tipo de vida que odiava por causa das dívidas e de meus diversos compromissos financeiros. Trabalhava tanto apenas para pagar aos outros, nada sobrava para mim mesma, nem mesmo para pequenos agrados. Me sentia como no mito de Sísifo, subindo minha enorme pedra durante todo o dia apenas para vê-la deslizar novamente e ter que subí-la no dia seguinte e no outro e no outro, num tormento sem fim.

Assim, naquele gráfico eu enxerguei pela primeira vez uma saída e adquiri um sonho, não de iates, jatinhos ou jóias mas sim de liberdade.

 

O mercado imobiliário brasileiro passa por um boom sem precedentes, talvez comparável apenas ao milagre econômico do início da década de 70. Há uma  enorme carência de moradias em nosso país e 9 em 10 brasileiros acalenta o sonho da casa própria. Assim, o Brasil se tornou um terreno fértil para a expansão dos financiamentos imobiliários, incentivos às construtoras e incorporadoras e multipicação de prédios em construção nas grandes cidades.

Dentre os principais incentivos, está  o programa  Minha Casa  Minha Vida voltado para a população de menor poder aquisitivo, com menores taxas de juros e prazos de financiamentos mais longos.

Ótimo, não?

Bem, o problema maior disso tudo é que estamos falando da maior dívida que uma pessoa assume ao longo de sua vida. E no frigir dos ovos não houve grande diminuição da taxa de juros. Houve sim um importante aumento do prazo de financiamento, até 30 anos,  menor burocracia na hora de contratar um empréstimo e quase não se exige entrada. Mais ou menos como um financiamento de automóvel. O que significa que TODO O MUNDO a minha volta está comprando apartamento e o pior, na planta.

Outra coisa que me aflige é que os preços estão subindo vertiginosamente. Há 5 anos com R$ 200.000,00 se comprava um bom apartamento na região central de São Paulo. Hoje, o mesmo apartamento, não sai por menos de R$ 500.000,00, também, é claro, na planta.

Imagine uma pessoa de baixo salário, com 30% de seu salário empatado num empréstimo de 30 anos, morando num minúsculo apartamento. Pagando 2, 3 apartamemtos ao final do financiamento. E às vezes o apartamento nem está construído, é um pedaço de nuvem. Um pedaço de nuvem caro que ninguém garante que irá se valorizar o suficiente para compensar o alto valor dos juros.

Para mim, está mais para pesadelo que para sonho.

O problema de se curar de uma compulsão por compras é que normalmente você é levada para o outro extremo. O da pão-duragem explícita. Não consigo mais comprar, por prazer, coisas inúteis. Tenho que sempre comprar coisas que estou precisando,  com desconto e preços ótimos se não, nada feito.

Hoje fui a uma loja de departamentos e comprei 4 peças de roupa que realmente estava precisando e mesmo assim me sinto terrivelmente culpada. Meio mal mesmo.

Não gosto disso, mas fazer o quê.

 

Terminei hoje de ler Complexo de Sabotagem. O livro, indicado pela Ção que fez um comentário aqui no blog, foi escrito no final da década de 90 por Colette Dowling.  Não tinha em nenhuma livraria que frequento e estava esgotado na editora .  Acabei encontrando-o, num golpe de sorte, na livraria  virtual da Saraiva.

 

A autora escreveu um best-seller na década de 80 chamado Complexo de Cinderela. Falava basicamente sobre a dificuldade das mulheres em controlarem suas próprias vidas e sempre esperarem um príncipe para a salvarem.  Neste livro o tema é bem parecido, porém focado no controle do dinheiro e na indepedência financeira.

A própria Colette conta como, por não saber como administrar suas finanças,  nem controlar sua compulsão por compras, perdeu todo o dinheiro que ganhou com seu livro de sucesso.  Inclusive os 2 imóveis que comprou e até sua mobília,  por conta de dívidas com a Receita Federal americana.

A idéia básica do livro é que se deve lutar para construir uma carreira,  aprender a administrar seu próprio dinheiro e evitar ao máximo delegar este manejo a outrem. Sem lidar com as próprias finanças não é possível ser verdadeiramente livre e independente

Apesar de ser ás vezes muito junguiana nas análises psicológicas das mulheres que menciona, o que irrita um pouco, é um livro importante pois traz um enfoque diferente ao tema mulheres e dinheiro que de tão real, incomoda.

Recomendo.

Assim como para emagrecer, não há solução mágica para o problema das dívidas. É preciso disciplina, determinação e muita paciência. O primeiro passo e um dos mais dolorosos é conhecer o tamanho e a variedade do monstro. É preciso destrinchar extratos, faturas, contratos e saber quanto se deve em cada um dos emprétimos feitos as vezes ao longo de uma vida inteira de gastança descontrolada.

Isto é tão difícil e doloroso que faz com que as pessoas fiquem paralisadas de medo e nunca comecem um programa efetivo de redução de débitos. Muitos procastinam, ou seja deixam para outro dia e nunca se deparam realmente com seu problema em toda a sua plenitude.

Só que sem saber quanto se deve e para quem e a que taxa de juros, não é possível começar a enfrentar a criatura e ficamos presos num presente terrível em que não são possíveis planos nem sonhos.

Comece sempre pela dívida mais cara e vá listando uma a uma até chegar ao montante final. No Brasil, normalmente, o cartão de crédito e o cheque especial são as modalidades de crédito mais caras, o primeiro com uma taxa de juros de 10 a 12 % ao mês, isto mesmo ao mês, e o segundo de 8 a 12%.

Depois vêm os empréstimos pessoais, cdc, crédito consignado e os financiamentos de carro e de imóveis.

Liste tudo, calcule a taxa de juros e veja quantas parcelas faltam. Se tiver dúvidas ligue para a instituição e obtenha as informações que você precisa.

Encare o monstro de frente para que então você possa enfrentá-lo . 

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Para encurtar a depressiva história da pobreza, e após 2 anos de tratamento para a compulsão por compras com remédios e psicoterapia, e com algumas pequenas recaídas , finalmente perdi o tesão em comprar.

 Descobri os livros de auto-ajuda financeira ao tentar entender a complexa relação entre as pessoas e o dinheiro, ou seja para entender as dívidas acabei encontrando seu reverso, os investimentos. Me apaixonei pelo assunto mas demorei para me organizar e pagar todas as dívidas, no total 8 anos e finalmente comecei um consistente plano de investimentos em novembro de 2008. 

Tive um pequeno ensaio de investimentos em 2003, com pagamento total de dívidas, e poupança de 25% de meus rendimentos, cheguei a ter R$ 10.000,00 em títulos públicos e em papéis do PIBB. Porém entrei num novo ciclo de individamento, torrei meus investimentos e voltei á estaca zero.

 Por volta de 2006, e com o indispensável apoio de meu marido, resolvi elaborar um plano de redução de dívidas que durou 2 anos e a partir daí um plano real de investimentos. Nesse meio tempo li muito, frequentei cursos e palestras.

Agora sou investidora.

 

Como eu estava contando em outros posts, tinha mania por compras.

 Mudei de cidade muito jovem, sem a menor noção de como o mundo funcionava. Caí numa sociedade extremamente materialista, reacionária, machista e preconceituosa,  aquela  faculdade cara numa cidade do interior.

A diferença em relação aos meus colegas de São Paulo, é que no mesmo período minha mãe e minha irmã se mudaram para o centro-oeste, a mais de 1000km de distância. Só a via nos feriados. A grande maioria dos outros estudantes, até pela proximidade, passava os finais de semana na casa dos pais. Ou seja, de repente me vi numa cidade estranha, numa faculdade pesada em vários sentidos e só, completamente só.

Lembro-me de um vazio enorme que eu tentava preencher de todas as formas sem muito sucesso. Comecei a beber muito, passava muito mal, tive ressacas horríveis e a reputação estilhaçada. Tive alguns amigos, mas não conseguia deixar eles se aproximarem muito. Consegui queimar meu filme de tal forma que a solidão só aumentava. Me sentia inadequada, perdida.

Até que após um regime para emagrecer, comecei a comprar roupas novas, com meu federal card, meu primeiro cartão de crédito. Senti um prazer enorme. Lembo do meu coração acelerado e de uma sensação de euforia incrível subindo pelas minhas pernas. Pronto, pensei no alto da minha ingenuidade, descobri mais um jeito de preencher meu vazio e de talvez ser melhor aceita.

Para  mim, o mundo foi mesmo um moinho.