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Éramos pobres mas minha mãe nunca aceitou isso.

O que por um lado foi bom porque acabei estudando em uma ótima escola por causa da teimosia da minha mãe.  Por outro lado, era uma criança pobre vivendo entre crianças muito ricas. Isto era embaraçoso, às vezes, pois eu sentia vergonha de não ter aqueles brinquedos, nem aquelas roupas bregas dos anos oitenta, rsrs.

Tínhamos uma Variant II verde, muito velha e feia e era com este carro que minha mãe me buscava na escola. Lembro que tinha muito constrangimento com isso, insegura que era.

Esta vontade de ter coisas me acompanhou por muito tempo. E foi a causa primeira de tudo o que aconteceu depois. Porque depois foi pior. Fui para uma faculdade de mensalidade muito cara, tão cara que o salário de professora de minha mãe era menos do que o valor de uma  mensalidade.

As pessoas,  meus colegas eram mais ricas ainda que os da escola e além disso tive que mudar de cidade, sair de casa mesmo, coisa para a qual, analisando agora, não estava preparada.

De qualquer forma obtive um tipo de financiamento estudantil, o antigo CREDUC, com facilidade, visto o tamanho da pobreza de minha família. Era um empréstimo mais vantajoso que o FIES atual, pois as taxas de juros eram baixas, não precisávamos de fiador, tínhamos carência de um ano para começar a pagar e uma vez e meia o tempo de curso para pagar a dívida.

Numa das renovações do contrato, a cada 6 meses tínhamos que assinar a renovação do contrato do CREDUC na Caixa Econômica, uma funcionária me ofereceu o  FEDERAL CARD. Imagine só oferecer um cartão de crédito para um estudante, portanto sem renda própria,  assinando contrato de empréstimo. Vê se pode uma coisa dessas.

Adquiria assim minhas primeiras dívidas e o início da bola de neve.

 

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